“Meu Amargo Chocolate,

Algumas coisas nunca deveriam ser provadas. Pelo menos, foi isso que me disseram a vida inteira. Mas quando você apareceu, com seu jeito de desafio e promessa, como eu poderia resistir?

Era errado. Eu sabia que era. Mas ainda assim, eu provei.

E no começo… Ah, no começo foi perfeito. O gosto doce do proibido, o calor de algo que parecia feito só para nós. Cada instante roubado, cada toque escondido, era como chocolate derretendo na boca - intenso, viciante. Eu achei que poderia viver só disso. Achei que nada mais importava.

Mas então, como veneno misturado ao prazer, o gosto começou a mudar. Amargo. Sujo. Como se, no fundo, sempre estivesse lá, esperando para ser notado. No fim, o que restou não foi o doce, mas aquele gosto ruim, intragável, que não importa o quanto eu tente cuspir, continua grudado em mim.

Espero que meu próximo chocolate seja caramelo salgado, um sabor de início desconhecido, único, intenso, mas doce ao passar do tempo. E que dure no paladar. Para sempre, ao contrário de você.”